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Tributo a Marie Langer

August 21, 2019

Nos próximos dias 2 e 3 de setembro será realizado no Instituto de Psicologia da USP, o I Simpósio Internacional sobre a História da Psicanálise na América Latina, um projeto colaborativo entre vários países e universidades, latinas e europeias. Nesse contexto, trago meu tributo a Marie Langer. Como no geral é comum que mulheres sejam esquecidas, vide o caso de Sabina Spieltrein, considerada “pioneira esquecida da Psicanálise”, cujo debate Jundiaí teve a oportunidade de ver no Triep, resgato e registro o trabalho de umas das mais inovadoras mulheres psicanalistas latino-americanas, que enfrentou seu tempo, ditaduras, escreveu, falou, e debateu, inclusive nos períodos mais duros para a ação das esquerdas latinas.

 

Marie Langer teve a coragem de tecer seu pensamento em torno das ideias freudianas e kleinianas, mas também arriscou, criou seu lugar falando das mulheres de uma outra maneira, tocando temas extremamente complexos naqueles tempos, como a posição social da mulher, as questões políticas, sua relação com a perspectiva de classe social, e dentro disso os dilemas da maternidade e não maternidade, os impasses psíquicos do uso de contraceptivos, do aborto, da menopausa, o papel da menarca, o medo à defloração, a frigidez, as causas psíquicas da esterilidade, dentre outros. Se por um lado grandes autoras já tinham tratado destes temas, como Helen Deutsch, seu livro Maternidade e Sexo, publicado inicialmente na Argentina, foi um clássico, deixando, a nós, mulheres que apenas iniciávamos os caminhos da Psicologia e da Psicanálise no Brasil, o registro de que sim, haviam mudanças nos lugares sociais que as mulheres começavam a ocupar, e que tais mudanças deviam também ser parte da escuta dos discursos que chegavam aos consultórios.

 

Langer indicou que era possível, mais que necessário, pensar desde uma perspectiva feminista e psicanalítica, guardadas as devidas configurações de discursos e contextos, confirmando o que Lacan vai depois afirmar: é impossível analisar sem compreender e acompanhar a cultura em que estamos inseridos. Meus percursos pela vida me levaram, surpreendentemente, a conviver com sua filhinha Annemarie Langer (é a ela e dessa maneira que dedica seu livro). Pude conhecer Annemarie no México, discutindo as politicas públicas de saúde na América Latina, e o acesso aos contraceptivos pelos diversos sistemas públicos de saúde na região. Dedicou sua vida a saúde pública, e a pesquisas de alto impacto e inovação em tecnologia contraceptiva, numa organização de grande vulto, Population Council, nos anos 90.

 

Na mesma esfera dos trabalhos de sua mãe, a preocupação com a autonomia sexual e reprodutiva , com a saúde física e psíquica das mulheres, sempre esteve presente.

 

Um brinde a capacidade de produzir e criar, singularmente, deixando marcas que transcendem seu tempo. Obrigada, Marie.

 

MARGARETH ARILHA é psicanalista e pesquisadora do Nepo (Núcleo de Estudos em População Elza Berquo), da Unicamp.

 

 

Acesse: JJ/Opnião/Tributo a Marie Langer.

 

 

 

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