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Margareth Arilha: Terras Virgens

July 10, 2019

O presidente do Brasil declarou no último final de semana “.. o Brasil é virgem que todo tarado de fora quer “. Uma vez mais, o presidente surpreende. Recorre a um conjunto de significantes que percorrem o imaginário de qualquer cidadão/cidadã, trazendo a cena, de maneira indiscutível, os sentidos mais comuns, que anos e anos de simbolização da força autoritária e patriarcal construíram, e que o mundo contemporâneo vem tentando alterar. Não, sr. Presidente. Tarados, de fora ou de dentro, não cabem, não devem caber no conjunto de expressões que nem V. Exa., nem ninguém, venha transmitir em sua linguagem, humana, simbólica, e com um valor excepcional de ato.

 

Ao falarmos, estamos fazendo, criando imagens, ideias, fazendo circular verdades, propondo relações, formas de posicionamento no mundo. Dependendo de como falamos, estamos definindo processos, reforçando e formatando visões de mundo, de vida. Comparar o Brasil a uma mulher virgem – é o que está subentendido – e que pode vir a ser violada sexualmente, é algo que facilmente se depreende das expressões do presidente. Há, aparentemente, uma perspectiva de tratar as mulheres como terra, como natureza primitiva. Mulher e natureza, portanto, passam a se equivaler na cadeia de significantes usada.

 

Não tem sido poucas as vezes em que, de alguma maneira, o presidente se manifesta trazendo à baila significantes que reportam a questões sexuais.

 

E, muito embora esteja-se dizendo que o Brasil pode estar sob ameaça de “tarados ” que desejam violentá-lo, esquece-se de citar as violências que a terra brasileira vem sofrendo pelos “ataques” nacionais, de desmatamento. Sabe-se que entre suas promessas eleitorais, o presidente situou o fim das multas ambientais, a diminuição das áreas protegidas e o combate às ONGs. Em novembro de 2018, a derrubada da Amazônia aumentou 406% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo cálculos da ONG IMAZON, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia. O gozo pelo desmatamento, pela invasão de espaços não acessíveis, e que devem ser preservados, está presente como cena fundante, desde o descobrimento do Brasil. A imagem da violência primitiva ao universo do feminino, de acesso sem fim a tudo, do prazer da eliminação do que é particular, do que é próprio e singular, é cruel e perverso o suficiente para ser barrado. O “todo” do “mito” precisa ser barrado. “Tarados” de todo tipo devem ser barrados, presidente. Pela psicanálise, gênero e política.

 

MARGARETH ARILHA é psicanalista e pesquisadora do Nepo (Núcleo de Estudos em População Elza Berquo), da Unicamp.

 

 

Acesse: Principal/Opnião/Margareth Arilha: Terras Virgens.

 

 

 

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