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Margareth Arilha: Carta Aberta a Sara Winter

Cara Sara! Inicialmente desejo cumprimentá-la pela nomeação feita pela Ministra Damares, para que V. Sa. ocupasse a posição de coordenadora Nacional de Políticas à Maternidade. Me surpreendi e ao mesmo tempo fiquei bastante feliz por ver que uma jovem de 26 anos ocupa esse espaço, tão complexo. Mas ao mesmo tempo fiquei orgulhosa: soubemos manter viva a percepção de que as mulheres devem ser observadas de maneira ativa pelo poder público, e seus direitos garantidos. Afinal, nos anos 90, essa era a ideia força de várias das Conferencias das Nações Unidas desenvolvidas no plano global. No entanto, não sei se teremos a mesma compreensão, Sra Sara.

 

Pelo que vejo, em 1994, quando milhares de mulheres do mundo todo estavam a discutir suas demandas, seus desejos e direitos, cunhando inclusive globalmente novos direitos, como é o caso dos direitos reprodutivos na Conferencia Internacional de População e Desenvolvimento do Cairo, sua vida apenas se iniciava. Afinal, uma das preocupações centrais daquele momento é que todas as mulheres, de todas as classes sociais, vivendo em todas as partes do mundo pudessem decidir quando, como e com quem ter filhos, ter acesso as informações e meios para tomar decisões nesse sentido. Imagino que o seu trabalho deve estar incluído num esforço maior, ou seja, que todas as mulheres, em todas as etapas de suas vidas, sejam atendidas pelo SUS. Sim, porque entendo que a rede de prevenção e assistência a saúde, concretizada na figura dos serviços do SUS, seja o locus onde todas as questões da saúde devem terminar acontecendo. A menos que se esteja querendo retornar a década de 30 ou 40, quando à época do Governo Getúlio Vargas, tudo o que se fazia era priorizar as mulheres mães, esquecendo que antes de serem mães as mulheres precisam ser mulheres. Ou seja, precisam ter corpo e mente funcionando de maneira saudável, e portanto capazes de tomar decisões autônomas, fruto de seu próprio pensamento e desejo. Por exemplo, se e quando tomar anticoncepcionais, que gravidez seguir, e não precisar ser presa por tomar suas próprias decisões, como acontece hoje na Nicarágua ou em El Salvador, quando algumas mulheres seguem presas porque decidiram interromper suas gravidezes. As vezes, essas mulheres são obrigadas a correr risco de vida pela ameaça que a gravidez pode representar a suas vidas pela falta de uma lei que as proteja e garanta direitos. Brasil sem retrocesso. É o que todas as mulheres, mães e não mães, desejam.

 

MARGARETH ARILHA é psicanalista e pesquisadora do Nepo (Núcleo de Estudos em População Elza Berquo), da Unicamp.

 

Acesse: Margareth Arilha: Carta Aberta a Sara Winter.

 

 

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