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Margareth Arilha: O Belo e o Bem

September 19, 2018

Nosso país se revela, dia a dia, mais e mais curioso. E como se diz, “quanto mais a gente reza, mais aparece assombração”. A campanha eleitoral deste ano tem tido o poder de cansar e ao mesmo tempo de obrigar a que todos abram os olhos, as mentes e os corações, de novo, para tomar posições e decisões. Uma campanha eleitoral tem todo o poder de despertar verdades. Como sempre diz a Psicanálise, “a verdade é sempre um meia verdade”, afinal de contas, somos sujeitos divididos e estamos falando coisas sobre as quais não temos a total compreensão.

 

Com as palavras vamos revelando nossos ditos inconscientes. E parece ser por isso que nos últimos anos temos nos surpreendido com o que transborda por todos os ditos, atos e ações: topamos com muitas verdades que haviam sido solapadas, escondidas e enterradas em porões sombrios. No momento é como se tivéssemos atingido uma certa barbárie do dito. Surpreendentemente, os pensamentos desfilam, sem lógica, sem conexão, como se estivéssemos adentrando a um campo do inconsciente a céu aberto. Há uma catarse coletiva que tem cansado e deixado perplexos a todos.

 

É como se todos tivessem decidido falar, associar livremente, dizer o que quiserem, sem qualquer ordem ou lugar, e a perplexidade não parece mais ser da ordem do comum. De fato, penso que uma eleição incita a pensar e poder pensar algo que, ao mesmo tempo, se revela, vai ser construído no segredo. Afinal, o voto é sempre secreto. É algo da ordem do mais íntimo, do que é pensado e refletido, finalmente, no mais recôndito da passagem das palavras. É algo que circula em segredo e que apenas diante de uma máquina indiscreta mas silenciosa se revela. Ali, um momento de gozo, em que todas as ilusões serão projetadas.

 

Elejo o meu Deus, que pode ser qualquer um e sempre será um Deus. Aquele que virá para nos salvar. Nos salvar de nossas mazelas humanas, de nossa precariedade, de nosso futuro incerto, de nosso desamparo, de nossas próprias violências e de nossos ódios. Pensa-se que Ele vem para nos salvar de tudo o que está no mundo e que, equivocadamente, pensamos não ter sido produto de nossa própria existência. Muito engano, muito equívoco.

 

Na verdade, não há mesmo grandes líderes que possam nos salvar de nossa miserável condição humana. Vivemos um momento de incrível delírio alucinatório, olhando atônitos os vestígios de nossa pobre e podre confusão. Onde estão as almas perfumadas aquelas do Drummond de Andrade, que nos fazem amar e querer o Belo e o Bem? Enfrentemos o trágico, como no teatro grego, mas ajudem -nos a nos inspirar com o Belo e o Bem. Sem eles, a vida permanecerá insuportável.

 

MARGARETH ARILHA é psicanalista e pesquisadora do Nepo (Núcleo de Estudos em População Elza Berquo), da Unicamp.

 

Acesse: JJ/Principal/Opnião/Margareth Arilha: O Belo e o Bem.

 

 

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