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Margareth Arilha: Violência sexual

E então Diana me disse: “Falta amor, tudo é falta de amor”. Eu diria que, além disso, talvez haja excesso de gozo. Nossa civilização tem sido vítima, de certa maneira, de um superego que obriga, quase aos gritos, a todos e a cada um, o desfrute de um prazer que, de tanto querer existir, termina matando, real e simbolicamente. Compartilho aqui dados do Perfil Epidemiológico de Violência Sexual contra crianças e adolescentes de Sergipe, um estudo realizado com base nas notificações realizadas pelo setor da saúde, com dados de 2009 a 2017, registradas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação do Ministério da Saúde. O estudo mostra que no período registraram-se 6.576 notificações, para todas as idades, das quais 3.887 foram em menores de 18 anos. Desse total, 1.890 foram casos de violência sexual, ocorridos essencialmente em áreas urbanas.

 

No estudo em questão, das crianças e adolescentes que sofreram violência, 83,96% eram do sexo feminino: para cada individuo do sexo masculino, 5,30 meninas sofreram o agravo. A literatura mundial aponta o fenômeno como majoritariamente feminino, sendo portanto as meninas as principais vítimas do abuso e exploração, independentemente da faixa etária. O estudo sergipano mostra que o pico de vulnerabilidade acontece na fase pré-púbere e início da puberdade, quando a criança, envolvida em uma prática sexual, não entende totalmente o que ocorre. Em Sergipe, no período em questão, meninas de 11, 12 e 13 anos foram majoritariamente atingidas, especialmente por estupros.

 

No estudo em questão, na maioria dos casos houve apenas um agressor, geralmente do sexo masculino, havendo na maior parte dos casos uma relação consanguínea ou afetiva com a criança que sofreu a violência. A literatura também mostra que essa é a tendência: o agressor sexual – na maior parte das vezes – tem proximidade com a criança. Padrastos, pais, namorados e irmãos são os casos mas citados no estudo sergipano. Cuidar das meninas e dos agressores é fundamental. Não se deseja que atos assim levem famílias e amigos e profissionais ao desespero, mas simplesmente que se descortine com serenidade as feridas que nossa sociedade precisa cuidar. Estamos todos ardendo de desejo de amor e cuidados. Como veem, um minuto de gozo pode ter um preço muito alto para as vidas humanas.

 

Sergipe é Sergipe, mas Sergipe é Brasil. E isso tudo é sim, Diana, falta de amor.

 

Acesse: JJ / Principal / Opinião / Margareth Arilha: Violência sexual

 

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