October 17, 2019

October 3, 2019

August 21, 2019

August 7, 2019

Please reload

Posts Recentes

Margareth Arilha: Tributo às mães

O espetacular historiador Eric Hobsbawn escreveu no ano de 1994 a grande obra “A Era dos Extremos, o breve século 20: 1914-1991”. Esse trabalho discorre sobre o tempo do século 20, entre o início da 1ª Guerra Mundial (1914) e a queda da União Soviética (1991) e, nele, o autor explica, entre outros achados, que dentre todos os lugares e sociedades distintas que visitou e estudou encontrou apenas um fenômeno que pode ser chamado de universal, comum a todas as culturas e todas as espécies animais.

 

Trata-se da qualidade do vínculo que as mães de todas as culturas estabelecem com seus filhos. Pois é! E alguém discorda? Sociologia, Antropologia, Psicologia e Psicanálise mostram, de maneira inconfundível, que a marca humana passa pela relação estabelecida com o desejo e com o cuidado, geralmente produzido na relação com uma mulher – mãe.

 

Digo desta maneira porque também já se sabe que as mães biológicas podem ser substituídas por outros significativos. Os dias que antecedem o festejado Dia das Mães começam a trazer a nossos discursos e olhares o significante “Mãe”. Como parte da cultura em que me instalo, não posso fugir disso. E assim começo a pensar em meus filhos. Não posso pensar em meu processo de maternidade sem pensar em meus filhos: brilhos de sol e lua que fazem pulsar meu coração. E penso em minha mãe e sua ternura com os meus filhos.

Penso nas mulheres todas tão imbricadas com a maternidade, não importa qual o seu tempo ou sua geografia. Mães de todos, as que vivem e as que moram nas estrelas, mães que queriam ser mães e que não puderam ser mães, mães que perderam seus filhos em vida ou ainda em seus úteros, ou assim que nasceram. Mães que querem ter o direito de ter seus filhos vivos. Mães corajosas, por viverem em suas lutas cotidianas a luta do pão, a luta do amor, a batalha da indicação do caminho. Mães biológicas, mães que amam indistintamente do DNA , pais que são mães, pais que amam como mães.

 

Mães dos pais, mães negras que amamentaram os filhos dos brancos, mães que não gostaram de amamentar, mas que acalentaram, mães de 20 filhos, mães de 17 filhos, mães de 7 filhos ou de 2 filhos. Ternura, mães que abortaram para poder cuidar melhor dos filhos já nascidos, mães que abortaram espontaneamente e choraram a partida de seus filhos, sem que quisessem ou esperassem, mães que quiseram ser mães e que nunca puderam.

O amor materno é de longe o sentimento que nos faz acolher e querer. A elas, o meu tributo. Às mães negras, brancas, vermelhas e amarelas, o nosso tributo.


MARGARETH ARILHA é psicanalista e pesquisadora do Nepo (Núcleo de Estudos em População Elza Berquo), da Unicamp.

 

Acesse: JJ /Principal / Opinião / Margareth Arilha: Tributo às mães

Share on Facebook
Share on Twitter
Please reload

Siga
Please reload

Procurar por tags
Please reload

Arquivo
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Basic Square
Localização

Jundiaí, SP -  Av. 9 de Julho, 3405 - Sala 618

Jd. Paulista - Cep 13208-056  (Mapa abaixo)

   (11) 97452.2193

São Paulo, SP -  Av. Angélica 1996,

sl. 802 . Edificio Philadelphia - Higienópolis

Cep 01228-200