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Margareth Arilha: Projeto 12.262: saúde mental das mulheres

April 4, 2018

Recentemente a Câmara Municipal de Jundiaí aprovou o projeto de Lei 12.262, de autoria do vereador Ligabó. O projeto estabelece o atendimento a mulheres que apresentem natimorto ou óbito fetal e terminou trazendo à luz a necessidade de priorizar o impacto da vida reprodutiva sobre o universo psíquico das mulheres.

 

Há cerca de três décadas e meia, quando se iniciava o estabelecimento do programa de saúde integral para as mulheres, conhecido como PAISM, hoje PNAISM, a saúde mental já se colocava como uma demanda importante. Na década de 80, tratava-se de discutir de que maneira a autonomia das mulheres poderia provocar novas modalidades relacionais, especialmente no universo do trabalho e no âmbito da família, particularmente das relações com os filhos.

 

Hoje, no entanto, não se pode mais deixar de lado que as mulheres têm dores psíquicas associadas a suas decisões e ações no campo da reprodução. Se na metade do século passado, muitas mulheres perderam seus filhos pela impossibilidade de amamentá-los, quer seja naturalmente ou artificialmente, pela condição de pobreza, época em que as taxas de mortalidade infantil eram mito significativas, especificamente nos primeiros meses de vida dos bebês e associadas a falhas no campo nutricional, não se sabia ou não se valorizava o impacto que aquelas dores da perda, do luto não elaborado, não escutado, não marcado como perda, poderia resultar no universo psíquico das mulheres com impacto em sua saúde mental futura, de seus filhos futuros, de sua vida familiar.

 

Hoje já há conhecimentos importantes do impacto das várias modalidades de perdas reprodutivas e seu impacto psíquico, no entanto, as políticas públicas de saúde mental no Brasil não ofertam um espaço específico para as mulheres que passaram por experiências por vezes cruéis, por vezes perversas, serem ativamente ouvidas em processos psicoterapêuticos.

 

Quem hoje pode negar que escutar ativamente uma mulher que tenha perdido um bebê, inclusive num processo de risco de morte materna, não seria fundamental? Um óbito fetal em função de um quadro de diabete gestacional agudo, ou processos de dificuldades em função de algum tipo de má formação, ou de inseminações ou fertilizações “in vitro” mal sucedida, ou no caso de abortos espontâneos… Enfim, são inúmeras as situações que exigiriam atenção específica no campo psíquico decorrente das situações da vida reprodutiva das mulheres.

 

Se o Brasil tem hoje CAPS destinados a atender os dependentes de álcool e drogas, seria menos importante um espaço especificamente destinado às mulheres?

 

MARGARETH ARILHA é psicanalista e pesquisadora do Nepo (Núcleo de Estudos em População Elza Berquo), da Unicamp.

 

Acesse: JJ/Opnião/Margareth Arilha: Projeto 12.262: saúde mental das mulheres.

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