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Quando eu mudo, o que permanece de mim? Sobre resistências e mudanças.

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     Acredito que todas as mudanças na vida envolvem um “deixar de ser” para “vir-a-ser”. Simples como uma banana se transforma em doce de banana. É preciso deixar de ser algo para se transformar em algo.

     A emoção humana possui uma característica interessante. Ela vivencia uma angústia entre estes dois tempos que o sujeito perpassa. Lacan, psicanalista francês, traz uma frase bacana para pensar este ponto: “A angústia surge do momento em que o sujeito está suspenso entre um tempo em que ele não sabe mais onde está em direção a um tempo onde ele será alguma coisa na qual jamais se poderá encontrar.”. Vamos analisar a fundo essa frase para pensar sobre o processo de transformação do sujeito.

     Quando Lacan diz que a “angústia surge DO momento” ele coloca que se a angústia existe no sujeito, este já está num processo em que deixou de ser algo e está em um momento de não identidade. Voltemos a banana. Para preparar o doce, devemos tirá-la do cacho, descascá-la, e amassá-la. De banana ela se tornou outra coisa; banana descascada, e após, banana amassada. Não há mais a banana do cacho ali. Se fosse humana, a banana nessa caso “está suspensa entre um tempo em que ele não sabe mais onde está em direção a um tempo onde ele será alguma..”.

     Vamos ao segundo ponto, ainda mais importante e espinha dorsal das barreiras contra a mudança. O sujeito em mudança vive um sentimento de não identidade de si e sente, através da angústia e do medo que talvez nunca mais poderá retornar a antiga forma. Assim surge o sentimento que remete a “um tempo onde ele será alguma coisa na qual jamais se poderá encontrar”. O individuo entra em luto pelo mundo que está perdendo, pelas coisas daquele mundo que o faz ser quem ele é. Em suma, um luto pelo que vai deixar de ser. Freud ao falar do luto traz outra característica interessante. O homem dificilmente abre mão de algo que ele é emocionalmente vinculado e este aspecto faz o sujeito resistir à mudança. Frases que frequentemente aparecem em análise como “Não queria que tivesse que fazer tudo isso, mas é meu sonho chegar lá. E se não der certo? Seria melhor ficar então?”.

     A vida do indivíduo fica cíclica por conta desta resistência, em alguns casos a pessoa não se move por anos, onde é necessária uma intervenção clínica para auxiliar no processo para que aos poucos, o velho ser se transforma em direção ao vir-a-ser. É assim quando casamos, quando nos tornamos pais, quando mudamos de cargo, quando decidimos viver em outro lugar. A transitoriedade e o processo, que tanto coloco em meus textos vão á fundo também na nossa identidade. (Artur Uchôa - set/2015)

                      

(FONTE: http://www.paisqueeducam.com.br)

 

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